PÁGINA PESSOAL DE RUI BRANCO


Quarta-feira, 12 de Julho de 2006
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Autor: Outsider

Amor e Poesia em tempo de crise . . .   

 

           

Amor com sexo! Sexo sem amor! Amor sem sexo! Sem sexo e sem amor!

 

As variações são imensas e complexas. Sabemos que o amor é algo que se constrói e não algo que se impõe; já em relação ao sexo não se pode dizer o mesmo!

 

She lives in the dark

Breathing in

Breathing out

It is wild

It is real

It is good

Take away that hurting feeling.

 

            Como me apaixonei por ela? Não sei. Tinha apenas 11 anos e estava apaixonado por uma menina de Abrigada. Imaculada e doce, com um cheiro a perfume caro que me fazia sonhar enquanto adormecia.

           

Se acordo contigo

Se estou a teu lado

É doce o caminho.

           

A coisa não podia correr bem. O primeiro amor, a primeira paixão. Durou vários anos. Uma coisa platónica, genuína, demasiado pura quando hoje penso no assunto. Sem sexo, sem nada que justificasse o assombramento que vivi durante demasiado tempo. Era o início de uma série de curvas e contracurvas, de pequenos desastres amorosos, de pequenos tremores de terra que marcaram as minhas “ralações amorosas”.

 

 

Ela veio, ela chegou

Veio trazer encanto ao meu mundo.

 

Quando o meu peito for o teu mirante

Hei-de prender-te num só voo.

 

            Quando dei por mim tinham passado alguns anos da minha vida púbere, mas fui descoberto a tempo por uma adolescente de Ribafria. Local escondido do concelho de Alenquer, onde vivia a minha sereia, o meu presente libidinoso, o meu encantamento límbico, a minha primeira vez.

 

Fixou-me um instante e de repente saltou-me para o pescoço, fechando os braços, dependurada ficou, infantil, risonha e traquina, cobrindo-me todo o corpo de beijos . . .  peguei nela ao colo, levei-a para cima de uma pele de carneiro que cobria parte do chão da sala, ao lado de uma lareira, cheia do brasido da lenha, de onde subiam grandes chamas que alumiavam o aposento, deixando uma parte em completa obscuridade. . . ajoelhei-me e comecei lentamente a despi-la  . . . não há palavras que descrevam as maravilhas do seu corpo, a sua carne rosada e firme desmaiando nas curvas; o ventre polido e retraído, nascendo das coxas roliças; os meus lábios cobriam sofregamente a carne que aparecia enquanto as mãos teciam em volta do seu corpo uma apertadíssima rede de carícias . . . ela tudo aceitava para que eu a adorasse na plenitude da sua formosura. Naquela atmosfera candente, senti as labaredas lamberem-me a carne, penetrei-a demoradamente, num tal espasmo de gozo que ainda hoje o recordo como uma inconfundível fulguração dolorosa das entranhas.

           

Não! Não foi bem assim. Tal, era o que eu sempre sonhara. A culpa é dos filmes, porque a realidade e a ficção são coisas bem distintas.

            Senti-me triste, após a minha primeira vez. Perguntei a mim próprio se aquilo que todo e qualquer rapaz de 16 anos deseja, termina num suplício de roupa interior suja, de uma descoordenação motora que nos faz parecer um epiléptico e de um desajuste emocional tão forte que nos faz parecer o pior amante do mundo.

Abrigada e Ribafria foram só o começo de inúmeros desassossegos relacionais.

 

 

 

 

Há sempre entre mim e o mundo

Uma névoa que às vezes me ataca

Que às vezes me faz refém

De uma solidão tão fria

Que não me dá trégua.

 

            Vários anos passados sobre as minhas primeiras aventuras amorosas, olho para elas como experiências marcantes na minha vida, cujo rumo amoroso ainda está por assentar.

Sou um péssimo amante, há que dizê-lo com toda a frontalidade. Com o tempo, tinha esperança em melhorar o meu desempenho sexual. Não, nada disso. Cada vez mais penso que não nasci para ser fustigado com os prazeres carnais. Em pleno acto, nunca sei o que fazer às mãos, aos joelhos, já para não falar do resto! Não sei se hei-de beijar atrás ou à frente, em cima ou em baixo, dentro ou fora! Quanto tempo é que devo estar nos preliminares? Estarei a suar demasiado? Será que ela não está a gemer demais? Fingida! Será que ela acha que isto devia crescer mais? Não! São perguntas a mais para o meu ego. Não consigo, desisto.

Por outro lado, se os outros conseguem proezas maravilhosas, por que é que eu não hei-de conseguir?

 

Eu gosto de ficar sozinho

Mas gosto mais de estar contigo

Eu gosto da luz do sol

Mas tem chovido insistentemente.

 

Nesta época das novas tecnologias dou por mim a escrever mensagens para possíveis blind dates. Vou deixar-vos algumas das mensagens com que atropelo o chat on-line todos os dias.

           

Sou um partido livre, se és daquelas que diz que os bons partidos já estão todos ocupados, vem conhecer o homem dos teus sonhos. Arrisca-te a ser a mulher mais feliz do mundo.

           

Já passei dos 30, apresentável, livre, simpático, meigo, bem formado, situação razoável, vivendo só. Procuro carochinha compatível e que preencha o vazio que há em mim.

 

Alguma vez na vida temos de arriscar alguma coisa que valha mesmo a pena, porque existe esperança para aqueles que arriscam poder acreditar em algo. Porquê querer sempre tornar tudo mais difícil do que na realidade é? Procuro a sublimação das coisas e das pessoas. Não queiras passar os serões a ouvir os pelos da alcatifa a crescer.

 

Pode a água continuar a cair, encharcando a Estremadura, que o meu coração continuará a arder em chama de desejo para te conhecer. Possivelmente só outra chama poderá apaziguar a dor do fogo que me consome.

 

Pretendo aniquilar a angustiante solidão que vive em meu redor. Se és mulher com todas as letras, genuína e verdadeira, também me procuras, mas não sabes que eu existo.

 

            Com mais ou menos filosofia, com mais ou menos costela poética, com mais ou menos mentira, isto não vai lá. Hoje, decidi ser eu próprio, independentemente, de todos os riscos que uma decisão destas pode acarretar. Não tenho nada a perder. Eis a mensagem que acabei de enviar:

 

Se procuras um homem incapaz de te dar prazer, encontraste-o. Se queres alguém que te faça parecer um fardo em cima da cama, inábil, incompetente e inapto para fins prazeirosos, contacta-me:

 

therealoutsider@iol.pt

 

Há palavras que nos beijam

E nos humedecem a alma.

 

A tua boca, o eco dos teus passos

E o meu coração que tu não sentes.

 

Com a idade que tenho, já ninguém me quer gratuitamente. Ultimamente, tenho recorrido a uma rede de prostituição de meninas de leste que existe numa serra perto da minha casa. No final do “acto” acabo por pagar o dobro do acordado inicialmente. Nenhuma profissional merece levar com um trambolho, com um trangalho em cima. Ainda lhes posso causar danos irreversíveis! Sei lá. Uma enfermidade profissional, uma perturbação de competência técnica. Por isso é melhor, com o dinheiro extra que lhes dou, fazerem um seguro de acidentes pessoais, até mesmo um seguro de vida, que cubra todo o aparelho sexual bem como a zona fronteiriça. Até conheço o rapaz indicado para lhes fazer os ditos seguros, com desconto e tudo.

Nunca vi uma coisa assim! Quando chego à dita serra, parecem umas cabras a fugir pela colina acima, e só com muita insistência da minha parte, acaba uma por disponibilizar-se para o sacrifício, para o tormento. Descobri que fizeram uma escala de serviço para me atenderem!

 

 

Eu não quis achar o céu

Nas esquinas do teu corpo

Fui feliz em me perder

No desassossego do teu amor

 

O meu amor não vai emudecer

O tempo vai dizer-te

A minha vida sem ti

Pode não dar em nada

 

Numa carícia imensa, ardente e louca

Refrescaste a minha boca um só instante

Duvidaste quando chorei

Talvez ainda te ame.

 

 

A lembrar loucamente o que nos esquecemos …

 

 

 

Referências bibliográficas:

Outsider (2006). O meu cérebro alucinado. 1ª ed. Blogota: Ota.


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Quarta-feira, 21 de Junho de 2006
esquizofrenias&taradices.com

Autor: Outsider

 

Desencontros com a escrita . . .  a idade da inocência

 

Aproximam-se as férias de Verão. Este é o momento propício para colocar a leitura em dia ou apreciar os livros adiados para uma melhor oportunidade. Sabemos que em Portugal se lê muito pouco, apesar de ser cada vez mais intensa a actividade editorial. Não interessa agora estabelecer paralelos com outros países da mesma dimensão e população, mas salientamos que, apesar de serem muitos os livros publicados, nem por isso se pode afirmar que nos últimos anos cresceu o número de leitores. São muitas e variadas as razões deste fenómeno e de pouco têm ajudado as diversas campanhas feitas a favor da divulgação do livro. O tempo é de outras tendências e estas afastam, quase desde a idade pré-escolar, os mais novos do hábito da leitura e do gosto pelos livros. O prazer da leitura incute-se logo em pequenino para não se consentir, aos potenciais novos leitores, hábitos de preguiça que em regra têm pelo livro e não têm pelos jogos de computador e filmes televisivos. Hoje as “solicitações” e as “emboscadas” são variadas e esta invasão de novas tecnologias de informação e de comunicação pervertem o sentido real da leitura. O aparecimento de blogs tem permitido reconquistar algum do terreno perdido e estes novos processos de escrita partilhada ajuda na divulgação da Língua Portuguesa.

 

Hoje decidi orientar a minha escrita para o público infantil. Esta narrativa é para os mais novos, ou talvez não  . . .

 

Esta história que vou contar passou-se faz muito, muito tempo, numa altura em que a terra ainda estava a crescer . . .

Era uma vez um menino que se chamava João, de uma idade parecida com a vossa. O pai saía de manhã para o emprego que era caçar animais que se comessem. A mãe ficava a arranjar a gruta onde viviam, pintando coisas nas paredes de enfeitar, olhando o fogo de aquecer e tratando de todos os filhos. A escola onde andava chamava-se “A Vida” e era ao ar livre no Verão, mesmo ao pé de uma árvore grande e verde. Aprendiam-se coisas que se quisessem, brincava-se muito e todas as pessoas eram amigas. Isso era bom!

Às vezes, o João sentia-se chateado. Achava que era pior que os outros meninos, não gostava de uns números que não entendia e de umas letras esquisitas que lá ensinavam (dantes tudo era diferente, não era?). . . E enquanto o pai não vinha com comida e a mãe dava banho no rio à irmã pequenita, o João sentava-se numa pedra castanha a pensar.

Soprava o vento, passava um bando de morcegos engraçados, todos virados de pernas para o ar, e ele ali estava num sossego de pasmar. E olhava para o céu, que nessa altura tinha umas nuvens, e falava assim e imaginava assado, muitas vezes, isto foi em dias bonitos, mesmo daqueles em que apetece ficar quieto, a dormir acordado. E houve um dia, em que aconteceu o João contar segredos a um amigo de sempre, o dinossauro Rex.

- Sabes Rex, eu queria as coisas mais fáceis, o sol a brilhar mais forte, as casas maiores, os animais felizes. Assim … de outra maneira!

E o Rex que era um bicho simpático, daqueles que falava pouco e ouvia muito, pôs uma pata pesada e peluda no ombro do menino e disse-lhe uma coisa ao ouvido (que nós não ouvimos) que o fez olhar em frente. E foi nisto que o João viu a Sofia, a menina de que mais gostava. Parece que ela já lá estava há um tempo, a escutar tudo, escondida num arbusto enorme, da cor das rosas. Vinha muito bem vestida, com um gosto de admirar, e falou como quem canta:

- João, lembras-te que aprendemos na “Vida” que, se quisermos, também podemos sonhar?

E o nosso amigo sorriu e deu uma cambalhota para trás . . . Disse à Sofia que sim, enquanto ali começava uma música de apaixonar. E foi assim que o João começou a voar por cima de sítios que não conhecia. Era lá em cima, onde é difícil chegar e tudo parece feito para nós.

Havia cascatas de água a cair, bolos de chocolate, bicicletas do nosso tamanho, paisagens de dar suspiros . . . E até o Rex encontrou um familiar dos seus, daqueles que tinha asas e tudo, que lhe deu uma fotografia de quando ele era bebé, só para ele se lembrar melhor de coisas que já tinha esquecido!

E o João olhava para baixo, com olhos de quem há-de voltar, enquanto a Sofia trepava por uma espiga de milho para o tentar agarrar e os pais se despediam num adeus. O Rex sorriu, ajeitou o João e continuaram viagem, descansados como num desenho que podemos fazer. Deu uma reviravolta maluca e falou com o coração, como aqueles senhores a quem chamamos poetas. E disse:

 

 

 

“ Redemoinha o vento,

 

anda à roda no ar.

 

Vai meu pensamento

 

comigo a sonhar . . . “                     (Fernando Pessoa)

 

 

O João ficou a achar que escrever deve ser óptimo; é que reparamos, quando vamos a ler, que nem sabíamos que éramos assim!

 

 

Referências bibliográficas:

Outsider (2006). O meu cérebro alucinado. 1ª ed. Blogota: Ota.


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Quarta-feira, 24 de Maio de 2006
esquizofrenias&taradices.com

Autor: Outsider                                                  O

Excessos . . .

 

Persegue-se um devaneio, ignoram-se fronteiras e acedemos à terra dos sonhos . . .

Apesar do tempo ter passado por mim, acho que nunca cresci. Tempo e razão são conceitos mais ou menos esquizofrénicos, formatados para a sociedade de consumo imediato. Para mim, não me servem. Penso e ajo como quando tinha 16 anos. Profissão foi coisa que nunca tive, responsabilidade e identidade são palavras ocas e despojadas de qualquer significado. Hoje, é tarde para mudar, os hábitos estão demasiado enraizados e os vícios são pouco tolerantes para com o corpo e para com o cérebro.

Comecei a fumar erva quando entrei no Secundário. Rapidamente passei do simples charro ao cachimbo de água, onde a cannabis era a rainha e eu um simples escravo. A primeira vez que consumi cannabis fumei 6 de seguida. Vomitei, desmaiei e dei por mim amparado por meia dúzia de colegas a entrar numa aula de Português. A Prof. boquiaberta perguntava; - o que é que te aconteceu? A única resposta que obteve foi um resto de vómito esverdeado que lhe deu outra cor às calças que trazia vestidas. Depois comecei a sentir-me bem, feliz, satisfeito com a vida. Gastava todo o dinheiro que conseguia na erva. Com o tempo, o modelo de consumo tornou-se aditivo em vez de recreativo e social. As pessoas fumavam em grupo e ficavam ali paradas, a olhar umas para as outras, como estátuas firmes e hirtas. Nestes momentos etéreos e celestiais, não se fala, não se come, não se dorme, apenas se curte a onda e se alimenta o vício. De manhã, levantava-me e fumava, bebia um café e voltava a fumar; os dias, os meses, e muitos anos resumiram-se a este padrão de vida. Nesta fase, não sabia quem eu era nem quem eram os outros. Comecei a achar que nada me podia acontecer, atirava-me para a frente dos carros, nadava pelo mar adentro até à exaustão, assaltava cafés em hora de encerramento. A cannabis abria-me o pensamento para outros mundos, outras crenças, conduzia-me por alucinações auditivas e visuais. Gradualmente, comecei a desenvolver uma sintomatologia psicótica. Tornei-me inquieto, perturbado e demoníaco. Ultimamente, tenho tido, também, pensamentos suicidas. Penso em saltar do ponto mais alto do Buraco da Oca; sabe sempre bem voltar às origens e . . . sem coragem não há glória. Um mergulho, uma nova vida. A paranóia substituíu completamente a realidade. A cannabis deixou-me marcas para toda a vida, desenvolvi uma psicose obsessiva, maníaca e, por vezes, depressiva. O meu cérebro está danificado; - células mortas! Dizem os médicos. Perturbações constantes de humor, manias, tiques, perseguições alucinatórias são o meu padrão de comportamento actual.

 

Vejo . . .

Mulheres desnudadas que dançam à minha volta, mas que não consigo tocar . . .

Anjos que tentam espetar-me facas na garganta, mas que não conseguem acertar . . .

A minha vizinha de 60 anos que no elevador me volúpia, mas que não consigo resistir . . .       

 

Oiço . . .

Ramstein a tocar à porta do meu quarto, e eu às 4 da manhã a aplaudir . . .

A cozinheira do restaurante onde almoço dizer que o patrão lhe meteu a mão pelas entranhas, mas o homem morreu o ano passado . . .

O vigário da minha freguesia confessar que gostava de me tactear . . .

 

Um tormento! Uma vida desperdiçada! Uma vida onde o Sábado e o Domingo são iguais aos dias de semana, as manhãs idênticas às noites e onde a Primavera não se diferencia do Outono. Uma vida sem sentir, sem amar e sem partilhar. Uma solidão profunda, uma inquietude constante, uma psicose avassaladora e destrutiva. Uma vida sem afectos nem emoções. Um tormento! Uma vida desperdiçada!

 

 

Ajudem-me.

 

 

Referências: Outsider (2006). O meu cérebro alucinado. 1ª ed. Blogota: Ota.

 


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Quarta-feira, 3 de Maio de 2006
esquizofrenias&taradices.com
Autor: Outsider                                                  O
 
 
A minha 1ª vez . . . . . numa sex shop!
 
            Esta história tem, sem ser por acaso, um círculo vermelho no canto superior direito. Avisa-se, desde já, que pode ferir pessoas de carácter mais frágil. Se o leitor se enquadra neste perfil, pare! Mude de Blog. O autor desta história não se responsabiliza por possíveis danos morais e hipotéticos transtornos de personalidade que a sua leitura possa causar.
            Tarde livre. Um luxo que temos que aproveitar para conhecer melhor a cidade. Dou de caras com um anúncio de uma loja que diz “ouse e entre”. Atractivo, não acham? Como rapaz obediente que sempre fui, entrei. Nome da loja “Botão de Rosa”. Não! Não se trata de uma loja de flores, mas sim de um “bazar” de artigos para práticas sexuais, por mais bizarras que elas sejam. Aqui os arranjos são mais lascivos, impúdicos e luxuriosos.

Empregada afável e material didáctico-sexual. Se não é, devia ser o lema deste estabelecimento. A Liane, a empregada, uma jóia de moça vinda directamente do Rio Grande do Sul, amabilíssima no trato e sempre disponível para mostrar e, em caso de dúvida, experimentar o material, mostrou-me a loja de ponta a ponta, sem medos e com muito savoir faire. Passo a enumerar algumas das iguarias existentes no “Botão de Rosa”, aconselhando-vos, desde já, a uma visita guiada pela Liane, porque acho que o prazer deve ser partilhado e todos nós temos o direito a ser, sexualmente, venturosos. Mais uma coisa, os preços apresentados servem apenas de referência, para quando visitarem a Liane levarem dinheiro fresco, o “Botão de Rosa” não tem multibanco. Uma lacuna a colmatar no futuro.
Iguarias:
Pau de Cabinda 10 gr – poderoso afrodisíaco para homens e mulheres, 100% natural. 10,50 EUR
Aquaglide 200 ml – lubrificante à base de água, não mancha e sem aroma. 13,95 EUR
FrenchKiss Morango ou Limão – delicioso (atenção, o adjectivo não é meu) lubrificante líquido para utilizar no sexo oral. 11,95 EUR
Eropharm – tratamento moderno e vitalizante com efeito multi-sexual (seja lá o que isto for, soa-me bem), para ele e para ela. 15,95 EUR
Inverma – creme retardante, diminui a sensibilidade e prolonga a erecção em 30 minutos (que seca! dá para jogar às cartas). 17,95 EUR
Largo – creme para aumentar o pénis e para usar com bomba de vácuo (não me perguntem como é que isto funciona). 20,95 EUR
Chicote 54 cm – pele sintética com 9 pontas entrançadas. 11,95 EUR
Correntes para pés e mãos – correntes em metal com punhos vermelhos. 24,95 EUR
“Cherry” a guerreira – mulher militar com farda própria para despir e descobrir a razão de certas mulheres irem à tropa. 23,85 EUR
Gypsy – vagina realística, feita de silicone, com pêlo e vibração ajustável. 31,95 EUR
 
            Estava tão atento ao material circundante e em tirar notas para poder escrever esta história que não me tinha apercebido que o “Botão de Rosa” tinha nova clientela. Do meu lado direito, um casal de meia-idade, tentava escolher um lubrificante. Como quem não quer a coisa, coloquei-me suficientemente perto para ouvi-la dizer – Ó António, lembras-te da última vez que usámos isso. Ai que maravilha. Entrou sem dificuldade! Riram-se os dois em surdina. Quando se afastaram fui ver do que se tratava, porque não podemos ficar na ignorância para todo o sempre; Anal Gel – lubrificante íntimo feito à base de água (10,95 EUR). Olha os malandros, e eu, na minha inocência, a pensar que aquilo só se fazia nos filmes, em tipas com quilómetros de rodagem e sem inspecção realizada.
Entretanto, do lado oposto, a Liane tentava solucionar o problema a duas jovens que tentavam escolher um vibrador para presentear uma amiga. - Despedida de solteira! Diziam elas. Cá para nós, estavam demasiado preocupadas com o tamanho. Provavelmente, deveriam querer experimentar primeiro o material, só p’ra ver se funcionava!!! - O de 10 cm não dá p’ra nada, disse a mais matulona. Dizem elas que o tamanho não conta. Pois, pois.
Nova ave rara acabou de entrar. O velho, olhou em redor e avançou na minha direcção. Observou-me de alto a baixo, coisa rápida, porque 1,60 m examina-se rapidamente, perguntou-me se eu trabalhava ali. Disse-lhe que devia estar a fazer confusão. Virou-se para um jovem que tinha acabado de entrar e sem papas na língua, disse-lhe – És um puto giro! Bem. O gajo queria mecha! O puto, riu e retorquiu – 15 euros. Toma lá. Engate no “Botão”. Imaginem só. Um gajo sai de casa para fazer jornalismo de investigação, com números e tudo, e depois surge um cromo destes. Este país está a ir pelo cano. Nas minhas memórias de adolescente, a única coisa parecida de que se ouvia falar era aquele gajo que ia para a serra uivar, cheio de cio, à espera que chegasse algum lobo esfomeado e o pegasse de traseira.
Estava na hora de sair. Duas horas e meia depois de ter entrado trouxe comigo um conjunto de experiências e vivências que me enriqueceram profundamente, fazendo-me olhar para a sexualidade de uma forma mais audaciosa e mais ousada, mas sem modernices (vocês entendem-me!).
 
Confesso que estou um bocado envergonhado em partilhar esta minha experiência convosco. Afinal não passo de um tipo da aldeia cuja experiência sexual mais marcante, foram as senhoras que estavam no alto da Borralha a servir de repasto aos transeuntes e viajantes famintos que por ali passavam. Reconheço que, por várias vezes, descansei os olhos nos entre folhos despidos de preconceito de algumas dessas mulheres.
 
            P   a    s   s   e   m         b   e m       e     de sc u   l pe   m         a         v ibraç    ão,
 
m   as         a        cu     lpa        é         da        G   yp     sy    ,   es t á            in con t r 
 
o l   á v       e l.
 
 

Referências: Outsider (2006). O meu cérebro alucinado. 1ª ed. Blogota: Ota


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Quarta-feira, 19 de Abril de 2006
esquizofrenias&taradices.com

Autor: Outsider

 

 

O people do bairro social . . .

 

           

            De manhã, como é usual, saio a correr de casa porque o relógio não perdoa. Entro no carro e nada. Pegar é mentira. O tanque está meio. O carro não trabalha. Solução! ir apanhar o autocarro e rezar para não chegar muito atrasado. Viver no subúrbio significa atravessar meia dúzia de bairros sociais antes de entrar na cidade. O espectáculo é deslumbrante, qual Taveira qual Gaudi; o perfil arquitectónico destes bairros é de um esplendor atroz. Ora verde, ora rosa choque com pinceladas de azul escuro e muito, mesmo muito graffiti. Vidros partidos, varandas sem grades, bidões como esculturas de Art Deco, senhoras em combinação (transparente como convém), etc. uma panóplia de cores, cheiros e sons. A não perder numa urbe perto de si.

O autocarro 7 faz Odivelas – Cais do Sodré e passou a ser, desde hoje, o meu transporte favorito para entrar em Lisboa.  À minha  frente sentou-se uma piquena com 4 cm de mini-saia, cuequinha vermelha (era impossível não olhar) e meinha tricolor (provavelmente uma apoiante da selecção francesa). A dita cuja olha-me de soslaio, pensando, o que faz aqui um gajo de gravata, tá-se a fazer para ser assaltado. Saca de um telemóvel  3 g, Nokia N 70, por acaso, aquele que desejo comprar, mas que ainda não me decidi. Ela pelos vistos já o tem. Também com aqueles entremeios. Fala ao telefone com uma amiga, que vai entrar na paragem seguinte. Fantástica! Que encomenda. Melhor era impossível. Esta piquena acabadinha de entrar na minha vida, traz um vestidinho curto, mas com um decote até ao umbigo. Ok, pronto. Até ao apêndice xifóide. Lado a lado, elas conversavam acerca de qualquer coisa. Para minha infelicidade não percebi patavina. Esta segunda menina tira um IPOD e toca de ouvir música. Bem alto como convém. Já vi igual, mas ainda não comprei. Este people do bairro social “veste-se” bem. A música era daquelas. Vocês sabem o tipo. Elas começam a baloiçar, a rebolar, numa alegria contagiante. Um velho aproximou-se e quase se babava para cima delas. Que viagem! Que experiência para os sentidos. Para tristeza de todos, as meninas saíram, não sem antes roçarem os seus corpos, ainda juvenis, nos felizes contemplados. A viagem continua. Entretanto, já me esqueci das horas. Senta-se ao meu lado um jovem, provavelmente, de raça cigana e tira do bolso uma PDA. Não! Não queria acreditar uma agenda electrónica, tal qual, aquela que eu ando a namorar há pelo menos 1 ano. Bem, este autocarro, pensei . . . será que estou no meio de uma campanha publicitária da Worten? Será que este people do passe social compra tecnologia com o dinheiro que poupa em gasolina? O jovem, aproximou-se e disse em surdina – Quer comprar? Não! O tipo queria que eu comprasse o meu sonho tecnológico. Perguntei, - quanto chuta? O tipo disse, - época de saldos, 200 euros e funciona a 100 %. Menos de metade do preço. Ainda estava a reflectir sobre o assunto. Acrescentou. - O meu nome é Tito. Costumo parar pela Rua Augusta, pode confiar em mim, o material é de confiança, vendo de tudo um pouco. Eu, meio desconfiado, ofereci-lhe 100 euros. Diz o Tito. - É pá, isso é roubar. Engrossei a voz (experiência acumulada durante anos na taberna do João Engenheiro) e retorqui; - é pegar ou largar. O Tito olhou-me nos olhos e deve ter percebido que não lhe dava nem mais um tusto. E … fizemos negócio. Tenho uma agenda electrónica Qtek e a sua utilização tem mudado completamente o meu dia-a-dia. Aliás, toda a minha vida mudou desde que utilizo o passe social, é um corrupio de experiências sensoriais, tácteis e quinestésicas. Enfim, sinto-me outro, mas falta-me qualquer coisa! ! ! . . .  o Tito era a pessoa indicada para me arranjar uma cópia real da Halle Berry versão Cova da Moura. Meninos e meninas, façam os vossos pedidos! O Tito transforma os vossos sonhos em realidade.        

 

Um abraço sincero e amigo para todos os comentadores de histórias mais ou menos ir”reais”, em especial, para a minha fã nº 1 Rita Costa e para o meu crítico nº 1 Jorge … …. Eles e todos vós são o meu desassossego e não há nada melhor do que viver em irrequietude . . .

 

Outsider,

 

 

Referências: Outsider (2006). O meu cérebro alucinado. 1ª ed. Blogota: Ota.

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Quarta-feira, 5 de Abril de 2006
esquizofrenias&taradices.com

Autor: Outsider

 

 

memórias de uma noite em branco . . .

 

 

Uma da manhã. Vou-me deitar. Silêncio absoluto. Como é bom viver na cidade, não há barulho de cães, gatos, galos etc. aqui o som é mais ambulâncias, polícia, elevadores. Esta noite tudo está tranquilo, vai ser uma boa noite de sono.

 

Começo a pouco e pouco a ouvir uma cama a ranger, provavelmente falta de óleo. O barulho vai aumentando em intensidade e em frequência. Aparecem uns gemidos a acompanhar a festa. Não, já não há engano. Os vizinhos de cima, após pelo menos, dois meses de abstinência, resolveram chatear-me. Isto não fica assim. Ligo a televisão e dou-lhes Sexy Hot, volume no máximo. Gritos e gemidos em estereofonia. Pelo meio ouve-se uma voz com sotaque, “gostas da minha boceta?” Olhei para ver se a conversa era comigo, e para dar a minha opinião. Bem, parecia a recta da base - pelada, com altos e baixos e a necessitar de ser alcatroada.

 

Não me estava sentir nada bem. Comecei a duvidar da erva que tinha colocado na sopa. È o que dá comprar erva no Lidl. Um gajo vai atrás do mais barato e depois ressaca. Podia ter sido da mistura, erva do Lidl, abóbora e cogumelos chineses. Levantei-me, fui até à janela. De um trago bebi o que restava de uma garrafa de vinho d’Aveiras. Estava pronto para ir para a cama. Olho pela janela para ver se o carro ainda lá está. Por aqui, os carros, por vezes, são experimentados durante a noite. Modernices. Vejo a minha vizinha do 2º Dto chegar com um tipo com metade da idade dela! Deve ser o filho. Ontem, por acaso, vi-a chegar com um tipo com, pelo menos, o dobro da sua idade! Devia ser o pai. Bem, esqueçam. Voltei-me a deitar.

 

Sempre achei que um gajo que dorme sozinho numa cama de casal é um desperdício. Lembrei-me de uma história que me contaram. Um gajo que vivia sózinho em Benfica foi encontrado morto duas semanas após a ocorrência. Ninguém deu pela falta do homem. Encontraram-no porque o cão da vizinha não parava de ladrar. E a minha vizinha que não tem cão. Ainda bem que hoje não tenho companhia. Começaram a sair uns gases. Pareço uma fumarola. Irrespirável. F.... para a erva do Lidl. De agora em diante, erva só do terreno do Zé Luís.

 

Seis da matina e eu sem dormir. Saí da cama, está um sniff daqueles. Logo hoje que vou reunir com a minha colega Teresa. Cá p’ra nós, tem um ligeiro, não, um grande desvio mental (esquizofrénica, talvez? de certeza!). Telefona-me vinte vezes por dia, e sempre que o faz parece que não me vê, pelo menos, há seis meses. Bem, a Teresa fica para outra viagem. É pá, passou-me uma coisa má pela cabeça. Será que vou acabar junto da esquizofrénica. M..... prefiro ser descoberto por um cão. 

 

 

Referências: Outsider (2006). O meu cérebro alucinado. 1ª ed. Blogota: Ota.


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Quarta-feira, 29 de Março de 2006
esquizofrenias&taradices.com

Autor:  Outsider

 

Hoje decidi não matar ninguém !

 

Sei Lá,

 

Gostava de escrever como a Margarida Rebelo Pinto, mas não consigo. Ok. Vou tentar!


Uma vez mais cá estou eu para vos contar o nosso fim-de-semana! Foi muito divertido e ainda por cima a minha tia Guida esteve cá! No Sábado regressámos à natação! Desde Janeiro que não íamos! Por eu estar doente ou pela mamã estar doente, faltámos a muitas aulas! Eu já não choro com o professor! Já não tenho medo dele! Mas quando me quiseram pôr umas braçadeiras é que não deixei! Nem pensar! Julgam que me enganam! Eles querem pôr-me as braçadeiras para que a mamã me largue e eu comece a dar às pernas! É que eu ando tão descontraída que me esqueço! À noite os meus avózinhos foram jantar à nossa casa! Eu gostei muito!

 

Desulpem. Chega. Vou tomar um shotbrain! É um composto de uma 1920 com seroxat, castilium  e sabril! Irresistível. Até Já.

 

Olá! Sinto-me bem melhor…

 

Sou a Juliana, tenho 24 anos e sou brasileira.

 

A porta da minha casa não tem tapete, entre sem limpar os pés, traga para cá toda a poeira de todo chão que pisaste, eu te quero com as nódoas do caminho andado, eu te quero com o cansaço que trazes da rua, e com o colarinho encardido, e com a carne suada, e com a alma cansada, e com todos os nãos que engoliste. Vamos celebrar o imperfeito da vida, o passo em falso, a decisão errada, celebrar o indesejável, comemorar o imprevisto, o desencontro, o desencanto e todas as coisas sem esperança. Traz o medo e traz todas as filhas do medo: a angústia, a dúvida, a indecisão, a inércia, traz, traz, há lugar para tudo quanto é defeito da raça humana, vem dividir os teus com os meus, vem fazer par, a tua desventura com a minha miséria, porque eu estou aqui e sou de carne e osso e te espero de braços abertos.

“Ele executou a grande Prostituta que corrompia a terra com a sua prostituição, e pediu-lhe contas do sangue dos seus servos.”

A história tem que ser interrompida porque a Juliana acabou de ser apanhada pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras – SEF.

 

Desculpem a garrafa acabou. Vou buscar outra. Agora sim estou em pleno processo criativo . . .

 

Era o dia de regresso. Estava quase tão ansioso por regressar a Portugal quanto o dia em que parti. Portugal é um país que ora se ama ora se odeia. Embora a minha relação com este cantinho à beira-mar seja muito conturbada, acabo sempre por regressar. Já nem sei se é por amor se por hábito, mas o certo é que as saudades não me deixam ficar muito tempo ausente.

Entro no velho Peugeot 204 e quando vou a dar a chave, nikkles. As luzes ficaram acesas quando atravessei um dos inúmeros túneis de Barcelona. Cravei logo a minha mulher, irmã, sobrinho e dois operários que estavam ali à mão para empurrarem a charranca. Mas o raio do motor não havia maneira de arrancar. Lá tive de pagar o táxi para os levar ao aeroporto e ainda mais 20 euros para me desenrascar.

Preparo-me para estoicamente atravessar o árido planalto ibérico. O clima estava húmido e já dentro do carro, sem ar condicionado e com dois vidros avariados, suava que nem um cavalo. Tal era a sudação que mais parecia ser eu a puxar o carro tal como no tempo dos Flinstones. Nem sequer disponha de um reles auto-rádio que pudesse mitigar o meu sofrimento.

Para combater a monotonia da paisagem e da condução em autopista vou-me distraindo com contas de cabeça calculando a potência que seria necessária para um carro voar, ideias para construir redes neuronais, argumentos para novas histórias e contos. Não raramente dou por mim a meditar apenas na morte da bezerra. Vou voltando o rabo suado ora para um lado ora para o outro como sardinha na brasa.

Zaragoza, 40º à sombra. Infelizmente não estou numa ilha tropical nem com uma companhia romântica nem sequer disponho de uma mísera sombra. São 17h e o sol continua inclemente. Procuro refúgio num centro comercial. O ambiente climatizado repleto de belas espanholas vasculhando pechinchas nas rebajas é um oásis onde refresco alegremente o corpo e a vista. Sou inevitavelmente arrastado para a secção de livros onde acabo por comprar “viajero gaffe” de um tal Marc Ripol.

É um livro delirante sobre viagens e turistas. Não recomendável para quem está a pensar viajar tal a quantidade de desventuras que o autor retrata com um sentido de humor irrepreensível. Um excelente passatempo para viajantes e um alerta para quem sonha com paraísos turísticos pintados cor-de-rosa pelas agências de viagens.

Antes de chegar a Madrid, paro numa pequena aldeia perdida por entre terras de trigo, girassol e áridas montanhas. Eram umas 9h da noite e nas ruas não se vê vivalma. Estaciono junto a um canal de irrigação refrescando-me com o ruído das águas neste pasmacento final de tarde. Saco da navalha e vou-me a um enorme melão que tinha previdentemente adquirido em Barcelona. Soube-me que nem ginjas.

Eram já umas 11h da noite e Madrid ainda está a mais de 100 km. Decido dormir num dos muitos hostales que ladeiam a autopista. Muitos estão completos e começo a preocupar-me se teria de dormir ao relento. Não seria a primeira vez, mas hoje estava cansado. Junto a uma aldeia semi-abandonada, lá encontro uma pensão com vagas. Aquilo era uma pensão que mais parecia uma prisão: os quartos pouco maiores eram que a cama individual e na casa de banho não havia lugar para mais de uma pessoa, mas magra. Não haja dúvida que esta malta tem olho para rentabilizar o negócio e explorar o desgraçado viajante.

Adormeci. . . e sonhei . . .

Não fui eu que inventei a morte.

Não matei Jesus.

Jesus não morreu por mim.

 

Elefantíase do Escroto, doença causada pela obstrução dos vasos dos testículos, podem inchar os testículos até ao tamanho de uma melancia.

Juliana, por onde andas . . .

 

Até breve,

Outsider


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publicado por BLOGOTA às 21:28
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Quinta-feira, 16 de Março de 2006
esquizofrenias&taradices.com

ARTIGO DA AUTORIA DO "THEREALOUTSIDER"

Crónica de uma morte anunciada

 

Quando não apetece dormir, a pancada bate forte ...

Esta noite o meu portátil teve uma crise existencial... apagou-se e não queria voltar a ligar.... após ter estado alguns minutos parado ... lá escutei o jshdjdfhjdshjfksdjjd do arranque do computador e pronto... regresso da música e pronto... como não resta ninguém para falar, foi tempo de …

Quando nos atrevemos a sonhar é sempre assim...Nunca se sabe onde o sonho tem o seu fim...Nunca se sabe se a sanidade está dentro dos limites dos nossos sonhos... talvez a insanidade seja a melhor solução. Podem achar que somos doidos... mas talvez seja essa a verdadeira forma de viver . . .

Muita coisa do que fiz, pensei que me fosse fazer mal. Muitas das minhas transgressões e pecados antes de consumados, custaram-me horas de angústia e de medo.

Depois viramos puta velha, pecamos, burlamos, mentimos e não damos conta, perde-se o pudor e a vergonha, e mais perdemos todo o sentimento de culpa.

A culpa é uma invenção grega, cristã, judaica, ocidental, uma espécie de tamagochi regulativo. Eu tirei as pilhas a esse brinquedo.

Hoje resolvi matar um gajo. Um amigo é verdade, mas estou decidido. Não perdi mais que cinco minutos em considerações e ponderações acerca do meu acto. A vida não é nada além de um teatrinho filho da puta, um jogo de interesses e conveniências nada limpos. Esse meu amigo já não me interessa. E acho que na vida, tenho o dever primordial de ser fiel. Os outros, como a palavra mesmo diz, são os outros.  

Para não ser um completo escroto, acho que devo agradecer as vezes em que ele me foi solícito, e me ouviu sempre calado tecer agruras. Por causa desse amigo eu parei de frequentar o psiquiatra, acabei com o orçamento da minha terapeuta e libertei mais dinheiro para os meus vícios. Confidente é para isso mesmo, escutar e não cobrar nada.

Ele sabe do que gosto, do que leio, aonde vou, o que assisto, sabe como sou pedante e insuportável. E não reclama. Um, dois tiros na testa? Uma facada? Asfixiado com uma almofada? Pode ser, isso vejo eu na hora, quando estiver cara a cara, quando a indiferença, que é mais ácida que o ódio bater sem dó nem piedade.

Depois arranjo uma forma de esconder o corpo e limpar o banco do carro. Foi para isso que assisti ao Pulp Fiction mais de 30 vezes, não é? Remorso? Jamais. Bondade em excesso é covardia, e no fim de contas que mal há num simples desejo? Ninguém vai sentir a falta dele. É um risco que corro. Mas cansei-me, e quero que ele morra. E vou matá-lo.

Ah, claro que sou cínico o bastante para ir ao funeral, só para confirmar o óbito. Oferecer os meus pêsames e chorar copiosamente. E quando ele estiver sepultado, venho aqui e digo onde fica a cova. Está combinado.

Uma vez ele contou-me que na sua lápide queria um poema de Mário de Sá-Carneiro que diz assim:

Quando eu morrer batam em latas / rompam aos saltos e aos pinotes / façam estalar no ar chicotes / chamem palhaços e acrobatas / que o meu caixão vá sobre um burro / ajaezado à andaluza / a um morto nada se recusa / eu quero por força ir de burro.

 

Assim será. . .  

Outsider, Até breve

 


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publicado por BLOGOTA às 18:43
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Quinta-feira, 2 de Março de 2006
esquizofrenias&taradices.com

As Quintas Feiras são dedicadas à apresentação de crónicas de outros autores, e considerando a indisponibilidade do comentador residente Pedro Maia, publicamos hoje um novo artigo do "therealoutsider", o qual passará também a fazer parte do painel de comentadores neste espaço. As crónicas deste autor passam a designar-se por "esquizofrenias&taradices.com".

Existe uma pequena parte do meu cérebro que proclamou a sua independência e resolveu funcionar como uma espécie de vagabundo da outra parte. Esta parte amotinada é consideravelmente mais veloz e coerente do que a parte que ainda me procura ajudar. Tipo assim, antes que os neurónios fiéis ao meu comando consigam processar qualquer tipo de reacção a um facto novo, os neurónios rebeldes já estão a antecipar qual será a reacção. Não é fácil viver assim!

De médico e de louco, todos nós temos um pouco! Ditado popular antigo e moderno! Cada vez mais, nos perdemos dentre as tentações de exercitar o nosso lado médico: a prática extremamente perigosa da auto-medicação e mais audaciosa ainda, de prescrever às pessoas queridas as soluções mágicas que nos devolveram o bem-estar ... A loucura, então, nem se fala! Falo da loucura crescente do mundo moderno!

É impossível passar os olhos por qualquer jornal, de qualquer dia, mês ou ano, sem descobrir em todas as linhas os traços mais pavorosos da perversidade humana [...] Qualquer jornal, da primeira à última linha, nada mais é do que um tecido de horrores. Guerras, crimes, roubos, linchamentos, torturas, as façanhas malignas dos príncipes, das nações, de indivíduos particulares; uma orgia de atrocidade universal. E é com este aperitivo abominável que o homem civilizado rega o seu repasto diário.

Perguntas da semana:

1. Onde está o Mário Soares ?

2. Por que é que Pinto da Costa não foi, desta vez, à conferência de imprensa no final do Benfica - FCP ?

3. O mistério das pirâmides não seria muito maior se elas tivessem o bico para baixo ?

A não perder:

O novo filme do Spielberg – Munique.

O novo cd de Jack Johnson.

Até breve . . . Outsider,


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publicado por BLOGOTA às 19:44
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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2006
THEREALOUTSIDER

O comentador residente Pedro Maia, por motivos profissionais não tem possibilidade de publicar o seu habitual artigo esta semana. Em substituição publicamos um "desabafo", em jeito de comentário do nosso amigo "therealoutsider".

o Joaquim na naite

- Merda! Já estava de novo atrasado. Joaquim sai religiosamente todas as sextas-feiras. O itinerário é sempre o mesmo, as pessoas são sempre as mesmas. Também numa terra pequena o que se podia esperar?

- Merda! Voltou a esquecer-se da escova de dentes no bolso de trás, junto à carteira, só reparou porque à última da hora teve que tirar as chaves de casa do bolso para voltar a entrar dentro de casa e verificar, pela quarta vez, se se teria esquecido de desligar o gás. Finalmente na rua, dirige-se a passos apressados para o Manfios, a tasca mais ranhosa de Vila Seca. Mas que poderia fazer? A malta junta-se toda lá e a cerveja é mais barata...

- Se calhar é mais barata porque os gajos poupam muito no detergente... – pensou no meio de um vómito.

- Ó Vanessa, é uma cerveja, não, não é preciso copo, obrigado!

- Tão meu, comé que vão esses computadores?

- Bem, ...

- Ó Cati, vamos para onde hoje? Era sempre assim, saía de casa, estava com pessoas que conhecia desde estudante mas raramente, acabava uma conversa. As pessoas à noite, não estão com muita disponibilidade para ouvir, estão mais numa de se mostrarem – e estes mostravam-se muito contentinhos por sinal!

- Então, representas a próxima? Lá iam todos em fila para a parte de trás do prédio fumar umas brocas, sem dar estrilho. Qual quê, vinte marmanjos a saírem de um café direitos às traseiras não dá espiga, apenas lhes deu vontade de mijar. E as gajas? A elas também lhes deu a vontade, e depois? Depois do Manfios, tem-se sempre duas ou três escolhas antes da discoteca, a mais concorrida é um bar chamado Vens cá Parar, e que é, nada mais nada menos, que uma garagem com um bar, umas colunas e um écran gigante que passa vídeos da VH1. Neste bar as conversas são imperceptíveis devido aos elevados decibéis da mistela pop-pimba-à-lá-radio-cidade.

- Tão ó Jaquim tá-se? Olha-me só prás tetas daquela mula! Aquela merda desafia a gravidade, tenho que ver se dou umas voltas naquilo... As mulas nem sequer reparam no Joaquim, só a Rita, a hipopótama assanhada. Mas neste momento nem isso, Rita dedica-se ao esforço sobrenatural de tentar fazer o seu corpo dançar.

- Esta Rita a dançar faz-me lembrar a Elaine do Seinfeld.

- Quem?

Já na discoteca, afastados da pista, numa mesa, todos os que acompanharam o Joaquim, olham-no com um ar completamente esgazeado. Um deles, o João, aproxima-se dele, aperta-o num abraço e diz em tom adulador:

- Joaquim és lindo! Estamos todos a reparar que és o máximo e que ficas lindo assim a cantar Pearl Jam com os olhos fechados. Pareces um Deus Grego, uma estrela, e estás cheio de luz, e estou mesmo feliz de te conhecer pá!

- Blargh! O inevitável aconteceu, o João olhava maravilhado para a sua roupa que era um misto de cerveja fermentada com um cachorro e vários copos de Cuba Livre (em honra às minorias oprimidas). Assim que conseguiu escapulir-se, arrastou-se para casa. Tinha estado uma noite inteirinha com uma bando de gajos a viajar e nem se tinha apercebido. Deitou-se e antes de adormecer pensou:

- Hoje curti bué, e não gastei cheta!

Os nomes dos locais e das personagens são pura ficção.


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publicado por BLOGOTA às 18:52
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